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domingo, 2 de maio de 2010

O Monstrinho das Bolachas

Era uma vez um Monstrinho muito guloooso! Ele só pensava em comer. Um dia, aquele badalhoco deitou a casca da banana para o chão depois de a devorar em 3 dentadas quando a mãe ia a passar. Conclusão: PUM!, a mãe caiu no chão.
- Aiaiaiaiai!
- Que foi, mãezinha?
- Tu sabes bem o que foi, seu porcalhão! Deixaste a casca da banana no chão e agora eu caí... Logo hoje que tinha tantas bolachinhas para levar ao concurso!
- Oh mãezinha, desculpa! Eu levo as bolachas!
- Não levas nada que guloso como és comias tudo pelo caminho.
- Prometo que não como nem uma!
- Está bem, mas se comeres uma que seja ficas de castigo!


E lá foi o Monstrinho com o cesto das bolachinhas. Pelo caminho deu-lhe a fome:
- Ai que fominha!!! Mas prometi à mãezinha que não comia nenhuma bolachinha... Vou contar flores para me distrair!
*uma florzinha, tralala; duas florzinhas, tralala, três florzinhas, tralala*
- Ai que fooome! Mas tenho de resistir..
*uma florzinha, tralala; duas bolachinhas, tralala*
- Pronto, como só uma! A mãezinha não precisa de ficar a saber.
*crunch crunch crunch*
-Só mais outra! E outra. E outra.....


Quando deu por ela, o cesto estava vazio. O Monstrinho tinha comido tudo!
- E agora, o que faço? Se a mãezinha sabe fico de castigo... E agora? Não vou contar nada.
O Monstrinho foi para casa, muito triste e preocupado. Quando chegou estava cheio de dores de barriga.
- Seu guloso! Dói-te a barriga porque comeste as bolachinhas todas!
- Oh, mãezinha, desculpa! Mas tinha tanta fome...
- Mentiroso! Comeste uma banana e um pão com manteiga antes de saíres, como é que tinhas fome?
- Mas mãezinh...
- Já para o castigo!

(Agora havia mais 3 ou 4 linhas de história mas adormecia sempre antes do fim. E certos pormenores estão ao lado devido à carga de sono que me inundava o espírito depois das 21h)

Moral da história:
Não se desobedece ao papá nem à mamã. Eles é que sabem o que é melhor para nós.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O bosque proibido

Lembram-se desta princesa? Os cientistas descobriram outra carta que ela deixou! A carta mostra um bocado do que ela sentia por uma das pessoas, ela escreveu um diálogo talvez para nunca se esquecer de como sofreu naquela madrugada... É uma carta brusca e poderá causar uma ou outra lagrimita:

«O dia acordou calmo, sem uma núvem no céu e com os primeiros raios de sol a tocarem na lagoa do castelo. Eu nem tinha dormido, estava ansiosa demais pelo nosso encontro! Algo me dizia que naquela madrugada o ia encontrar sozinho e íamos ter um momento de privacidade... Estava quase a chegar ao nosso lugar secreto quando ele me pega no braço.
Vem comigo, o meu cavalo e o meu criado estão a descansar...
Eu fui, esta desculpa foi usada já várias vezes! Convidei-o a ir apanhar flores, era o próximo e derradeiro passo na nossa rotina secreta mas qual é o meu espanto quando recusa! Em vez disso pediu-me para o acompanhar até ao mega-buraco que fazia a raíz da árvore mágica onde o cavalo e o criado descansavam. Estranhei... O criado não devia saber que eu ali estava!
Ainda está fresco... Vem para perto da fogueira.
Vem comigo apanhar flores! O bosque está lindo a esta hora...
Não posso... O meu coração pregou-me uma partida e está a fugir ao meu controlo!
Mas isso até é bom...
Nem por isso! Se ele continuasse na mesma estava agora no bosque contigo... Gosto do que temos e não quero alterações!
Pois...
Deita-te aqui ao meu lado... Vamos conversar. Continuas tão bonita!.. Estás a tornar-te uma mulher linda!
Não digas estas coisas... Não me toques assim, não com eles aqui...
E irmos para a tua casa de campo? A criada ia armar confusão?
Não sei mas podia estranhar ou deixar escapar alguma coisa...
Pois, está complicado hoje...
Entretanto o criado acordou e eu tive de me armar em donzela perdida e inocente. Fiquei sem perceber grande coisa do que se passou nesta madrugada mas sei que havia vários passarinhos a escutar a conversa... Por isso peço que quando alguém descobrir esta minha carta publique um esclarecimento em tudo que é parede, jornal ou revista. Eu sei que o meu espírito vai vaguear po aí e assim pode ler.
Obrigada,
Princesa»


Coitadinha desta princesa... Todos lhe dificultavam a vida...
=(

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Parte III - Ana na Faculdade das Maravilhas


Era uma vez uma menina chamada Ana. Antes chamava-se Alice mas aos 18 anos decidiu mudar de nome.
Numa bela tarde de Primavera caiu num buraco. Encontrou o Coelho Margarido que andava a apanhar cogumelos mágicos.
- Queres um?
- Não, obrigada. Só como cogumelos depois do Chichorro os ter identificado. Além disso estou a falar com um coelho, já chega de drogas por hoje.
- Então toma um bolinho de chocolate.
Quando acordou viu um lobo - o mesmo das outras histórias - com um relógio gigante.
- Que horas são? - perguntou ela.
- São horas de te comer.
- Está bem!

The End

Rita e Xumé

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mas ainda hoje tem um vazio que não sabe explicar...

Estou?
Olá.
Que se passa? Que horas são?
Desculpa ter-te acordado... Vou-me embora, vou sair daqui, já não aguento mais!
Hãn? Mas..
Não dá mais, tudo aqui me lembra de ti! Todos os bancos de jardim, todas as esplanadas, todos os casais... Tudo me lembra do que pus em causa por mais uma (e outra, e outra...) noite na tua companhia, por querer sentir o teu cheiro outra vez, por precisar do calor dos teus lábios e da determinação do teu abraço!
Desculpa...
Não é "desculpa", devias ter dito que ia chegar a este ponto! Tu sabes como sou, tu sabias como ia acabar mas mesmo assim preferiste não me impedir, quiseste vir ter comigo vezes sem conta!
Eu não conseguia pensar no "acabar"!
Conseguias sim! Oh Carlos, por uma vez na vida enfrenta as coisas! Não fujas com desculpas e mentirinhas, sê sincero e diz o que sentes...
Eu quero fugir contigo mas não tenho coragem de deixar tudo para trás. Vou ficar fechado em casa com antidepressivos durante 2 meses e nunca me vou perdoar por teres fugido! Eu sou culpado por deitar fora a pequena dor que sentia para a substituir por esta, por ter acreditado que valia a pena arriscar!
Adeus.
Não vás! Fica por favor... O que tenho de fazer?
Volta atrás no tempo e nunca me faças aquele telefonema. Nunca me ligues a dizer que tens saudades minhas e que só precisas de me ver mais uma vez...
Por ti?
Por nós...


Ele acabou o curso e construiu uma Máquina do Tempo. Ele fez com que este diálogo nunca tivesse acontecido porque a amava assim tanto. 


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A Peste

Era uma vez um rei, uma rainha, uma princesa, um príncipe, uns coelhos, uns cavalos e esses bichos que normalmente aparecem nos contos de fadas. Um dia morreram todos mas deixaram uma história escrita:

O mundo é mau, feio, cheio de cheiros estranhos e gente ainda pior... Mas há sempre uma pessoa que faz esquecer tudo isto e passar a ver tudo com olhos diferente, mais smpáticos e alegres! Pois bem, o meu mundo tinha 3 pessoas e meia dessas, então em vez de ver tudo mais-que-bonito, ora via tudo colorido ora via tudo cinzento... É o preço a pagar, dizia uma vozinha interior que matei mais no fim da história. Bem, deixa-me explicar isso das 3 + 1/2 pessoas: havia a do sentimento puro, que já tinha sido o suficiente mas que depressa deixou de o ser (mas sem me conseguir desfazer dele...); a outra pessoa era do puro desejo, aquela coisa física que...coise, que me transformava noutra quando estávamos sozinhos; depois havia a que juntava estas duas anteriores mas que não me fazia esquecer nenhuma delas. Ah, falta a meia, né? Essa foi um deslize, uma fraqueza quando as 3 outras pareciam estar a fugir, seria irrelevante se tivesse ficado no seu cantinho sem me chatear...
Como já deu para perceber, eu estava a desafiar os Contos de Fadas e o escritor, que era muito conservador, não estava a achar piada nenhuma. Fez de tudo para a história voltar aos eixos: tentou que engravidasse mas esqueceu-se que eu estava a tomar a pílula, mandou as 1 das pessoas para o outro canto do Reino mas eu aprendi a andar de cavalo, fez com que os meus pais apadrinhassem (o adoptar da época) outra das 3 mas nós sabemos ser bem discretos, arranjou vários papéis para a outra mas nós conseguimos arranjar um tempinho... Ele estava absolutamente pasmado! Como é possível alguém ter tantas vidas secretas?, pensava ele todas as noites... Até que se lembrou de pôr a 1/2 na história! Sinceramente, estou envergonhada de admitir que ele quase ganhou com esta!! Mas apesar de eu não saber ao certo se mais alguém ficou a saber, acho que lidei bem com a situação... Enfim, eu até estava a gostar deste jogo perigoso, esta adrenalina fazia-me sentir tão viva!, mas o escritor abominava tudo isto e não queria dar o braço a torcer. Estava disposto a deixar-me infeliz só para o seu Conto ser tradicional e cheio de "valores"... Quando viu que eu não iria permitir tal coisa tomou a decisao mais importante de todas: criou a Peste. Matou o Reino todo mas ainda está convicto de que antes mortos que imorais.

Agradeço a atenção.
Se encontrarem este escritor dêem-lhe, por favor, o maior encherto de porrada que conseguirem.

Atenciosamente,
A princesa.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A História da Batata Honrada

Era uma vez uma batata. Esta batata chamava-se... Esperem. Não posso dizer o nome dela. E não vou inventar um nome e atribuir-lho. Ela não ia gostar. É uma batata, é suficiente para a sua identificação. Ora então recomecemos.
Era uma vez uma batata. Quando as pessoas começam a contar a sua história e ela anda por perto enfurece-se rapidamente. Isto porque não há ninguém que não pergunte: "Então mas era uma batata quê? Cozida, frita, de pacote...?". De pacote... Que bela forma de insulto. Era lá agora de pacote! 100% natural, ora bolas! Não era como as outras batatas que andam por aí hoje em dia e... Bem, calma. Já lá vamos.
Esta batata não suporta que lhe perguntem que tipo de batata é. É uma batata, poças! Que mania de a quererem arrumar num qualquer estereótipo ingrato. Era o que era, tinham que a aceitar como tal.
Para batata tinha um feitio muito complicado. Desde muito nova que possuía ideias muito próprias e os seus pais não a percebiam. À medida que foi crescendo e conhecendo outras batatas o seu sentido crítico acentuou-se. Tinha conhecido cada uma... No fundo eram todas iguais. Existiam aquelas com origens humildes cuja maior ambição era acabar onduladas dentro de um pacote colorido, outras preferiam ser lisas e não ter sal (alguém lhes terá dito que engorda). Existiam muitas outras com ambições semelhantes. O pior para uma batata era acabar congelada num saco com um M por fora. Era sinónimo de uma vida muito triste. Passavam anos congeladas e de repente, a única vez que sentiam um pouco de liberdade, era enquanto eram fritas num óleo sujo por onde já tinham passado tantas outras, salgadas à bruta, segundos antes de serem comidas por amontoados de colesterol em forma de seres humanos.
Ora a nossa batata achava isso ridículo. Porque é que alguém haveria de chegar a esse ponto? Porque é que todas as batatas suas conhecidas, sem excepção, ansiavam por ser comidas por qualquer pessoa? Era estúpido! Por isso esta batata não queria ser como as outras que se deixam comer por qualquer um! Esta batata tinha ideias e princípios. Esta batata tinha valor e não ia deixar que lhe sugassem o amido assim por dá cá aquela palha!
Até que um dia... Um certo agricultor lhe deitou a mão. Lavem lá essas mentes com sabão azul, não foi nada disso que estão a pensar! O jovem agricultor tinha as mãos macias e as unhas pequenas, tinha meiguice nos gestos e a sua pele tinha um aroma fresco e acolhedor, eram as melhores mãos que já tinha visto! Não era uma batata com muita experiência, mas pelas histórias que ouvia pensava que os agricultores eram todos rudes, brutos, lambões e com mãos grossas e ásperas… Aquele tinha as mãos que lhe aqueciam os sonhos nas noites frias da rega dos terrenos, era aquilo que ela queria! Começou a imaginar como seriam os seus lábios, a sua língua, os seus dentes… Será que a primeira vez que for trincada vai doer muito? Secalhar a língua macia atenua um bocado a dor… Sem falar da saliva, dizem que torna as coisas mais… Naquele momento soube logo: quero que ele me coma!
O pequeno agricultor pegou nela com muito cuidado e correu felicíssimo a gritar: "mããe, mããe! Botei as mãos à terra e achei uma batata! É redondinha! Bou já botá-la no meu quarto." Bem, a batata estranhou tamanha alegria em contar à mãe, mas depois lá percebeu que ele também tinha tido sonhos em noites frias (será que também lhe regavam a cama?). Na manhã seguinte, a batata acorda bem cedo e repara que o agricultor ainda está a dormir. "Ontem parecia maior…" – pensou ela. "Mas estes humanos são estranhos, secalhar em vez de crescerem, diminuem! É melhor que ele me coma rápido antes que desapareça!" Lá esticou as peles para ficar bem bonita e roçou-se no naperon onde o agricultor a tinha pousado para ficar brilhante, como as maçãs fazem. O agricultor acordou, pô-la na mochila e saiu de casa, "xau mããe! 'Té logo, bãnho co Bítor!" A batata achou isso estranho mas pensou que ele até podia ser um estudante de culinária e que a ia regar com os melhores molhos de especiarias. Sentiu-se tão especial que quase lhe nasceu um grelo de felicidade!
Quando chegou estava tanto barulho! Começou a ficar nervosa quando viu que em vez de panelas e frascos de especiarias havia bonecos e boiões de tintas: aquilo era um jardim de infância! "O que vão fazer comigo aqui?" – estava a entrar em pânico! Até que quando a professora diz para cortarem as batatas ao meio e fazerem delas carimbos, a pobre batata desmaiou e ficou logo mais mole…
O agricultor a quem ela se decidiu entregar depois de tanto tempo isolada debaixo da terra era na verdade um rapazinho que só queria brincar com ela para depois a deitar no lixo para apodrecer junto das abóboras. Ela escolheu-o pelas suas mãos macias e inocentes, não dando ouvidos às suas amigas quando estas lhe diziam que mãos rudes não indicam bocas brutas! Simplesmente têm mais experiência e sabem como te arrancar da terra, como te descascar e como te cozinhar de maneira a ficares ainda mais apetitosa…

Moral da história: Batata honrada devia ter ouvidos em vez de grelos.

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